Ensaios · Gabriel Bonz · Séries

O homo supremus de One Punch Man e sua consequência entediante

Algumas coisas são importantes para conduzí-los pelo meu texto de hoje: primeiro, eu não sou nada fã de animes e/ou mangás. Não tenho nada contra, mas simplesmente não me apetece tanto quanto as HQs americanas ou até as europeias. Segundo, eu apenas assisti o anime de One Punch Man, não acompanho o mangá – portanto, só falarei sobre o anime disponível na Netflix.

Por fim, mas o que é principal: tenho um enorme interesse nas definições filosóficas que os homens dão a si mesmo. Desde as mais famosas, como o homo ludens de Huizinga ou o homo sacer do Agamben, até algumas que eu mesmo “criei” pra facilitar o entendimento de certos pensamentos – o homo materialis de Marx ou o homo otarius de Zizek. E, as vezes, eu acabo aplicando isso às séries e filmes que assisto – principalmente quando essas séries/filmes têm como plot a criação de um (arque)tipo.

E One Punch Man faz isso indiretamente.

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Escritores · Gabriel Bonz · Resenha Pop · Séries

Stranger Things: um estudo de caso histórico

Essa é a minha primeira Resenha pro Resenha Pop. E sobre uma série que eu paguei minha língua: falei mal no Prêmio Paideia de Stranger Things, pois eu realmente não sou nada fã das coisas produzidas nos anos 80 pelos Estados Unidos. O fim da Guerra Fria e toda o fim da paranoia militar americana, a solução de problemas através das conspirações e tudo o mais. Porém, a série é perfeita em retratar todo esse clima.

Eu ousaria dizer mais: pode servir como um baita estudo de caso histórico e defenderei isso durante a Resenha, também mostrando os pontos positivos da saga.

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Filmes · Grandes Universos · outros · Quadrinhos · Séries

Grandes Universos: classificando os universos

Eu tenho alguns grandes interesses na vida, e tenho uma grande tendência a “academizar” esses interesses, mesmo que eu não pesquise nada academicamente sobre esse tema si. Além do meu próprio tema de pesquisa – História das Religiões na Modernidade, com foco no século XVI -, eu tendo a pensar tudo de uma maneira acadêmica e chata. Além da pesquisa, meus outros grandes interesses são a filosofia e a cultura pop.

Dentro da cultura pop, algo que me apaixona perdidamente são os universos que são desenvolvidos nela. A construção de universos de tipos tão distintos, dos místicos e fantasioso como Senhor dos Anéis até aqueles cuja realidade deve ser palpável e que tem elementos extra escondidos, como Crepúsculo Harry Potter.

Eu adoro construção de universo, como eles funcionam como suas próprias mitologias – mitologias modernas, como diria Campbell. Eu azedo muito quando uma obra tem um universo extremamente bem construído, mas não consegue desenvolvê-lo (tipo Crepúsculo); e se a obra não tem um universo tão complexo, se a história não for muito boa, ela não me prende.

Por conta disso, eu decidi escrever uma série sobre Grandes Universos da Cultura: como eles funcionam, quais são as lógicas existenciais deles que me atraem, quais são os grandes exemplos, os contra-exemplos… Enfim. Pegue na minha mão amiguinho: nesse primeiro texto eu quero dar alguns exemplos – e teorizar um tiquinho – sobre o que traz consistência a um universo criado.

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Séries · Uncategorized

Prêmio Paideia 2016 – Séries

S É R I E S

Melhor atuação
Claire Foy – The Crown
Elizabeth Henstridge – Marvel’s Agent of S.H.I.E.L.D.
Evan Rachel Wood – Westworld
Luis Gerardo Méndez – Club de Cuervos
Rami Malek – Mr. Robot

Melhor atuação secundária
Christian Slater – Mr. Robot
Jon Bernthal – Daredevil
Mahershala Ali – Luke Cage
Ming-Na Wen – Marvel’s Agent of S.H.I.E.L.D.
Riz Ahmed – The O.A.

Melhor estreia
Merlí
Rick & Morty
The Crown
The O. A.
Westworld

Melhor temporada
3ª Temporada de Marvel’s Agent of S.H.I.E.L.D.
3ª Temporada de Black Mirror
3ª Temporada de BoJack Horseman
19ª Temporada de South Park
2ª Temporada de Gravity Falls

Melhor episódio
4,772 Hours – Marvel’s Agent of S.H.I.E.L.D. S03E05
¿A quién estás buscando? – Club de Cuervos S02E03
Men Against Fire – Black Mirror S03E05
Nosedive – Black Mirror S03E01
Suckas Need Bodyguards – Luke Cage S01E06

Melhor série animada
BoJack Horseman
Gravity Falls
Rick & Morty
South Park
Steven Universe

Melhor argumento de série
20ª Temporada de South Park
Black Mirror
Gravity Falls
The O.A.
Stranger Things

Melhor série do ano
Black Mirror
BoJack Horseman
Merlí
Steven Universe
Westworld

Pior atuação do ano
Elodie Young – Daredevil
Emory Cohen – The O.A.
Eric LaRay Harvey – Luke Cage
Iain de Caestecker – Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D.
Stephen Amell – Arrow

Decepção do ano
2ª Temporada de Daredevil
2ª Metade de Luke Cage
Cancelamento de Agent Carter
Adiamento de Arrested Development
3%

Não vi e não gostei
Better Call Saul
Game of Thrones
House of Cards
Stranger Things
The Walking Dead

E OS VENCEDORES SÃO:

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Séries

A latinidade em Club de Cuervos

Começo esse texto com um aviso geral: não sou eu a pessoa ideal a escrevê-lo, mas ele precisa ser escrito. Porém, este texto é moralmente pertencente ao meu grande amigo e compañero de vida, Rodrigo Almeida, vulgo Rods, que foi el cabrón que me apresentou essa série maravilhosa. E também um dos maiores conhecedores da cultura latina que eu pude conhecer.

Além desse primeiro aviso, para melhor compreensão do texto, um conhecimento mínimo sobre o que é a página Testes de Macho é necessário. Tentando definí-los – e talvez falhando completamente -, gosto de pensar que a Testes prova que “virilidade” não está relacionado com nada além de caráter. Não é algo sexual e nem de gênero. Está na grandeza moral de alguém.

Pois bém, após esse pequeno aviso, vamos ao tema. Club de Cuervos é a primeira série do Netflix produzida em espanhol. Criada por Gal Alazraki e Michael Lam, estreou na plataforma de streaming no ano de 2015 e já possui duas temporadas lançadas, com a terceira já confirmada.

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