Filmes · Juliana Zanezi · Resenha Pop

War Machine (2017), por Juliana Zanezi

Olá, pessoal! Um pequeno aviso antes de você abrir a página: estreio aqui duas coisas que eu queria fazer há um tempo. Primeiro: a seção de resenhas do site, chamada Resenha Pop! Não vai ter periodicidade nenhuma, vai ser de um jeito bem livre e eu vou fazer do jeito que eu quiser. E, por isso mesmo, temos aqui a primeira colaboração do site, da minha grande amiga, companheira e colega de faculdade: Juliana Zanezi!

Filme original da Netflix sobre os desenrolares da “guerra ao terror” no Afeganistão em 2009: um filme de guerra, mas que chega a ser quase uma comédia, com todas as mazelas publicitárias, jornalísticas, burocráticas que isso implica…

Elenco majoritariamente masculino (o que faz sentido), e, também, que não decepciona: todos ali em boa movimentação, marcando presença no cenário geral do filme. Mesmo sendo nomes desconhecidos em sua maioria, seus rostos acabam sendo familiares pra quem assiste uma porção de filmes do segmento.

Brad Pitt consolida cada vez mais seu brilhantismo ao encarnar líderes militares – seja no ápice, seja na decadência de suas carreiras. Desde o carismático Tenente Aldo Raine em Bastardos Inglórios até este General Glen McMahoun, ele vem criando um arquétipo de interpretação e atuação maduro e bem sólido, compatível com sua experiência. Aos 53 anos, um homem que parece não querer fingir que ainda é o jovial e cômico Rusty, ou o insano Tyler Durdeen. Aqui, está quase irreconhecível, envelhecido e magérrimo – as vezes, temos que olhar duas, três vezes pra lembrar que é o mesmo cara que fez Entrevista com Vampiro há eras atrás.

O filme é bem dirigido e editado, mas de um jeito que mais se assemelha à um A Grande Aposta (quase documentarista, investigativo) do que da maioria dos filmes de guerra. Dinâmico, interessante e cômico sem vulgaridades, mas porque as situações em que o general se encontra são saias justas completas.

Os diálogos são bem encaixados e escritos: os atores sabem fazer acontecer. A trama é bem costurada, focando em conflitos com os insurgentes e os civis: quem é quem? O problema todo é eles não saberem em quem atirar. Daí a ideia de persuasão e “contra-insurgencia”, um dos pontos mais interessantes do filme. McMahon realmente acredita no papel pacificador e “re-civilizatório” dos EUA, mas não daquele jeito hegemônico que costumamos ver. O filme o coloca como um homem bom, bem intencionado, quase insano, mas não idealizado. Eu não gosto muito de “milicos”, mas este foi um general que consegui criar alguma simpatia, seja nos problemas pessoais com a família, seja com suas boas intenções “no front”.

A imagem de Barack Obama é constantemente evocada, seja por seus discursos impecáveis, suas fotos sorridentes e inclusive uma recusa polida em conversar com McMahoun. O ex-presidente, porém, também não foi idealizado, sendo na maioria das vezes criticado pelos militares (e pelo narrador, jornalista) por sua posição e por suas decisões.

Enfim, sendo breve no comentário, eu recomendo demais e estou satisfeita com o resultado de um filme original Netflix, que consegue trazer uma produção pouco pretensiosa, bem dirigida e escrita. Quer trazer uma reflexão real E uma experiência “leve” ao mesmo tempo. Além disso, contamos com nomes de peso como Tilda Swinton, Ben Kingsley e Russel Crowe para o elenco coadjuvante e fazer um puta filme sobre uma guerra interminável.

Nota Final: 7,0/10,0.

 

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